sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Imóvel nos EUA: Boa ou péssima opção de Investimento?

 
Comprar imóveis nos Estados UnidosSÃO PAULO – O encarecimento dos imóveis no Brasil nos últimos anos e o fato de eles terem ficado mais baratos nos Estados Unidos no mesmo período fez com que muitas pessoas se interessassem em adquirir um imóvel no país norte-americano, seja com o objetivo de passar períodos de férias, seja com a intenção de investir.
Mas será que a compra de uma casa ou um apartamento nos Estados Unidos pode ser uma alternativa interessante de investimento? Empresários do setor imobiliário divergem sobre esta questão.
Para o sócio e diretor da Vitacon Incorporadora, Alexandre Lafer Frankel, comprar residências nos EUA para ganhar com a valorização do bem não é uma boa opção. Isto porque as perspectivas de upside (valorização) não são muito boas. “Pode levar muito tempo para o imóvel se valorizar e não há nenhuma garantia de que isso aconteça. Ainda há uma oferta grande nos EUA e o país ainda enfrenta algumas dificuldades”, afirma Frankel.
De acordo com ele, o fato de a economia norte-americana ainda não ter dado sinais de um forte aquecimento faz com que investir em um bem nos EUA seja uma alternativa arriscada neste momento. “Acho que o mercado ainda deve demorar um pouco para se recuperar e, por isso, não aconselho uma compra deste tipo com objetivo de investir”, diz

Dólar barato e desvalorização dos imóveis nos EUA

Já o diretor da Save Invest, empresa de consultoria imobiliária, Diego de Cerqueira Lima, acredita que a compra de imóveis nos Estados Unidos ainda é, sim, uma boa opção de investimento.
Oportunidade de investimento imobiliário nos EUA
Segundo ele, a desvalorização do dólar nos últimos anos e a queda de preço dos imóveis nos EUA fazem com que ainda hajam boas oportunidades disponíveis naquele país. “Com a crise do subprime, o preço dos imóveis caiu muito nos Estados Unidos”, diz. “Há imóveis que se desvalorizaram até 70%”, completa o executivo.
Lima aponta que, mesmo com alguma recuperação do mercado imobiliário no País, ainda há imóveis subvalorizados. Por isso, ele afirma que quem quer comprar um imóvel nos EUA precisa se atentar para as pechinchas que ainda podem ser encontradas.
“É preciso aproveitar as oportunidades. Ainda há imóveis baratos em muitas regiões e a cotação do dólar, apesar de uma valorização recente, também contribui para que este tipo de aquisição seja interessante”, afirma.
Já Frankel ressalta que não se pode comparar os preços dos imóveis no Brasil com os dos EUA fazendo apenas a conversão da moeda. “Quando comparar preços no exterior, deve-se também comparar as localizações, rendas, custos de vida, custos dos terrenos, custos de mão de obra, créditos, taxas de juros, etc”, diz.

O que olhar antes de comprar

De acordo com o diretor da Save Invest, os procedimentos de segurança adotados antes de adquirir um imóvel nos Estados Unidos devem ser os mesmos de quando se compra uma residência no Brasil.
“É preciso saber quem é o agente que está intermediando aquela compra, se é ou não autorizado a fazer este tipo de transação, se a empresa que faz a gestão do imóvel é idônea, etc”, afirma o executivo.
Além disso, ele aconselha que o comprador do imóvel conheça a área onde ele está localizado e saiba o potencial de valorização da região, assim como os possíveis problemas do local. “Parte-se do pressuposto de que quem vai adquirir um imóvel fora do país tenha disponibilidade e facilidade para viajar para o local e que conheça bem a região onde se localiza o bem”, afirma Lima.

Impostos

Quem pretende comprar um imóvel nos EUA também precisa se atentar para os impostos. Isto porque a tributação para imóveis no país é bem diferente daquela que nós temos no Brasil e existem algumas peculiaridades, como a “lei da herança”.
Por isso, o diretor da Save Invest aconselha que o comprador procure uma assessoria jurídica, que conheça a legislação do local onde o imóvel se encontra nos EUA (lá, a legislação é definida de acordo com a jurisdição onde imóvel está localizado). “É importante procurar uma assessoria especializada para evitar problemas”, afirma Lima

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Preço de imóvel sobe e venda cai em todo o país

Preço de imóvel sobe e venda cai em todo o país

Publicado em 8 de Janeiro de 2012 por Da Redação com o Terra
Os imóveis de luxo foram os que registraram maiores altas
Os imóveis de luxo foram os que registraram maiores altas

Com exceção de Brasília, onde o preço do metro quadrado registrou um pequeno recuo, a indústria da construção civil enfrentará um duro dilema pela frente. Ou revê os custos - e consequentemente oferece um produto mais barato - ou aposta numa reviravolta a curto e médio prazos.
Isso porque, somente no ano passado, o preço médio dos imóveis subiu 26%, revela pesquisa realizada em seis capitais e no Distrito Federal pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Mas, apesar do significativo aumento, o mercado imobiliário apresentou um arrefecimento.
No último mês do ano houve desaceleração de alta no valor do metro quadrado dos imóveis de capitais como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Brasília, inclusive, chegou a apresentar recuo de 0,2% no indicador. Mas o movimento de desaceleração é um pouco mais antigo: desde abril de 2011 que o preço médio do imóvel sobe menos mês a mês.
Uma das teses defendidas por especialistas do setor, como o pesquisador da FipeZap Eduardo Zylberstajn, é a de que a economia do País pode ter refletido no comportamento do preço do metro quadrado. No terceiro trimestre de 2011, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Isso é parte da própria desaceleração da economia. A atividade tem vindo mais fraca, o mercado de trabalho dando sinais de que não está no mesmo ritmo do ano passado. Isso contamina a economia como um todo", afirmou.
Apenas o fato de a economia estar menos aquecida não diz muito, mas a escassez de crédito no País, sim, já que o mercado imobiliário depende da quantidade de crédito disponível para as pessoas e investidores adquirirem bens. Segundo o professor de finanças do Insper Ricardo Almeida, desde o final de 2010 e ao longo de 2011 o governo federal tomou medidas de contenção ao crédito, o que, aliado a outros fatores circunstanciais, colaborou para a desaceleração no setor.
- A gente teve um crescimento muito grande da oferta (de crédito) desde 2004, e se pensou que isso ia continuar sempre. Mas devido ao controle de inflação e também à desaceleração da economia europeia, que cessou um pouco a fonte de crédito, o governo não entrou com crédito abundante", disse ele.
Para o professor do Insper está descartada a possibilidade de uma tendência de desaceleração no mercado imobiliário nos próximos meses, dado que o governo voltou a estimular a economia com medidas como a redução da taxa básica de juros (Selic). Ele prevê que já neste primeiro semestre de 2012 possa ser verificado um reaquecimento.
No entanto, a chance de a retomada dos preços ocorrer no mesmo forte ritmo de antes é pequena, por conta de a economia brasileira crescer menos daqui para frente. "A relação entre crédito e PIB em 2004 era de 18%, e agora é algo em torno de 47% do PIB. Só que essa relação não está crescendo tanto mais", explicou Almeida.
Embora Brasília tenha apresentado recuo no preço dos imóveis em dezembro é difícil que isso se verifique daqui para frente na capital federal ou no restante das capitais, até pela diminuição ter sido pequena. O comportamento do mercado imobiliário em Brasília é diferente por conta do plano piloto da cidade, que não permite a construção em qualquer terreno, além do fator sazonal. "Lá em Brasília ocorreu uma acomodação, porque em dezembro diminui muito a atividade. As pessoas começam a comprar a partir desse início de ano", afirmou Zylberstajn.
O déficit habitacional, que, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgada em outubro, era de 7,9 milhões de moradias no País, também contribuirá para a retomada dos preços. "A população ainda não está morando bem. O mercado está desacelerando, sendo que ainda tem déficit habitacional. Era para o preço estar subindo, o crédito estar farto e a taxa de juros caindo, e sem medo de bolha imobiliária", disse o professor.